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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Praia, cultura e religiosidade em Salvador/BA

Tantos pontos turísticos de referência, história, gastronomia bem típica, capoeira, fortalecimento da religiosidade, belas praias, carnaval animado... Tudo faz de Salvador, na Bahia, uma das cidades que mais atraem turistas no país. Além disso, a história da colonização no Brasil ganha vários locais históricos na cidade, que foi a primeira do país. 

Ultimamente, Salvador e Rio de Janeiro se destacam como os maiores carnavais de rua do Brasil. E não é para menos. A cada edição, aumenta o número de trios elétricos, venda de abadás e público participante na capital baiana. Os trios começaram com Dodô e Osmar.

A Bahia já até ficou conhecida como a cidade onde o carnaval é o ano inteiro. Visitei a cidade em janeiro e, realmente, sempre tinha algum trio elétrico se apresentando. Depois, soube que o ano letivo das escolas de lá só começa em março, depois do carnaval.

Pela excelente hospitalidade, Salvador ganhou o título de capital da alegria. A todo momento o turista é chamado de meu rei e os baianos são muito solícitos, recebendo os visitantes muito bem.

A cultura é bastante diversificada, o que dá lugar para a manifestação de diferentes costumes: capoeira, candomblé, percussão, danças e carnaval se destacam.  

Culinária - Por todo lado, estão as baianas caracterizadas e os seus acarajés, mas, elas também vendem várias outras comidas típicas e deliciosas. A começar pelos doces: cocadas, tapioca, arroz doce, canjica, pé de moleque, tapioca. E os pratos com nomes diferentes: vatapá (peixe com amendoim), caruru (quiabo e camarão), bobó de camarão, caranguejo, moqueca, mugunzá (canjica), sarapatel (miúdos de porco). Os temperos fortes, de gosto marcante, são o ponto de destaque desta gastronomia. Pimenta e azeite de dendê compõem praticamente todas as receitas.

Centro Histórico - Dividida entre cidades alta e baixa, um dos principais pontos turísticos da cidade, o Elevador Lacerda, que fica na Praça Municipal, liga as duas. A alta é mais moderna e a baixa é banhada pela Baía de Todos os Santos. Passear entre as ladeiras é muito bom, mas, exige calçados confortáveis. O centro histórico de Salvador é considerado, pela Unesco, como  Patrimônio Histórico Cultural da Humanidade.
 
O centro histórico de Salvador é reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade. Preserva as construções do período colonial, que misturam os estilos barroco e ibérico. Sobrados coloridos, igrejas e convento mantém suas características originais mesmo depois de restaurados. No centro, estão localizados o Elevador Lacerda, Largo de São Francisco, Pelourinho, Praça Castro Alves, Mercado Modelo e a igreja de São Francisco, tida como a mais rica do país e um maravilhoso exemplar do barroco. 
 
Muito visitado e conhecido, o Elevador Lacerda é um dos principais cartões postais de Salvador e fica em uma rocha. De lá, tem-se a melhor vista da capital baiana. Ele está às margens da Baía de Todos os Santos. São 72 metros de altura, que ligam as cidades baixa e alta. Ele possibilita excelente vista da cidade e já chegou a ser considerado o mais alto do mundo.

No Largo do São Francisco, preciosidades. Centenas de quilos de ouro ornamentam a igreja mais rica do Brasil. Este significativo exemplar do Barroco traz a igreja e o Convento de São Francisco. Este possui azulejos portugueses nas paredes do pátio interno.

O Pelourinho, Patrimônio da Humanidade pela Unesco, é o primeiro e mais famoso bairro de Salvador totalmente cercado por casas coloridas (são mais de 800). O turista pode assistir a apresentações de percussão e a ensaios do Olodum ou a shows diversos. Aqui também fica a igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. E é mesmo o marco da cultura baiana e reúne patrimônios históricos, artísticos e musicais, além do artesanato.

Sempre gosto de visitar os mercados por onde passo e o Mercado Modelo de Salvador é considerado o maior centro de artesanato da América Latina, portanto, visita mais do que garantida. Ele reúne coisas típicas, inclusive as fitinhas do Senhor do Bonfim e o acarajé (mas estes estão em todos os pontos turísticos da cidade), figas, berimbau, bordados e muitos temperos e a famosa pimenta baiana. No afã das compras, acabamos adquirindo um berimbau para trazer de recordação. O mercado possui arquitetura neoclássica e é tombado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Nos fins de semana ainda é possível assistir às rodas de capoeira.

Capoeira – Faz parte da cultura da Bahia e é uma mistura de dança e luta. Herança dos escravos, que trouxeram esta tradição para o Brasil. O berimbau dá o tom e as coreografias são executadas. Braços, pernas, mãos, pés, cabeça e ombro entram no movimento. A capoeira é considerada a única modalidade de luta marcial que se faz acompanhada por instrumentos musicais. No início, esse acompanhamento era feito apenas com palmas e toques de tambores.

Igrejas – Lindas e em grande quantidade (acho que disputa acirradamente com Ouro Preto/MG neste quesito). Além das já citadas, outra que é famosíssima é a igreja do Bonfim. Conhecida pela lavagem de suas escadarias em que as baianas jogam água nos degraus. De estilo rococó, possui azulejos portugueses e decoração neoclássica. Este é o santo que deu origem às famosas fitinhas. Contam que um tesoureiro da irmandade do Senhor do Bonfim tinha o hábito de usar uma fita que, originalmente, tinha a medida do comprimento do braço direito da imagem do Senhor do Bonfim. Daí vieram os três nós, os pedidos...

Música – A cultura pulsa nas veias do baiano e uma das expressões mais significativas é na música. Há alguns anos, o axé tem feito bastante sucesso em todo o Brasil e no mundo, mas, há mais tempo, outros artistas ficaram conhecidos e mantêm o sucesso seja com destaque para a percussão por meio de blocos como o  Ile Ayê, Timbalada, Filhos de Gandhi e Olodum em que os tambores e coreografias são características marcantes. Expoentes também na MPB: família Caymmi, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Maria Bethânia, Margareth Menezes ou mesmo no rock como Raul Seixas e Pitty, apenas para citar alguns expoentes.  

Sem falar na literatura em que o maior destaque é para Jorge Amado, que, por meio de seus livros, apresentou a Bahia para muitos no Brasil e no exterior. E ainda é o autor mais adaptado para o cinema, televisão e teatro.

Um dos mais conhecidos fortes do Brasil está na Bahia e é o Forte Santo Antônio da Barra, onde também fica o Farol da Barra. Seu interior também é um convite à visitação.

Dona de um dos eventos mais conhecidos na cidade depois do carnaval, é a igreja do Senhor do Bonfim. A lavagem de suas escadarias é famosa.

Sol e mar – As praias são um espetáculo à parte. Com rochas formando piscinas e águas calmas que misturam o verde e o azul... São lindas! Muito bom relaxar curtindo uma água de coco geladinha, peixe, camarão, siri, caranguejo ou mesmo o famoso acarajé. Aliás, um aparte sobre caranguejo: fomos ao mercado e minha prima, dona da casa em que estávamos hospedados comprou caranguejos frescos para prepará-los especialmente para nós. Foi engraçado ver os bichinhos se movimentando na sacola. Achei que ficaria com dó de come-los, mas, quando provei estavam tão saborosos que o remorso passou. Hummm e por falar em alimentos frescos... Acabo de me lembrar de ter ido fazer uma visita à casa da vizinha da minha prima e lá estava um balde de caju colhido na hora. Ai que lembrança boa! Degustei calmamente aquele fruto nativo e tão doce...


As praias mais conhecidas são: Porto da Barra – movimentada e  próxima do centro, Farol da Barra, Ondina, Amaralina,  que tem ondas fortes e Itapuã, a mais linda de todas e famosa com águas verdinhas, areias claras e formação de piscinas naturais. Eternizada, inclusive, ao som da bossa nova. Fomos em uma outra mais distante  e quase deserta também que nos indicaram, mas, infelizmente, não me lembro o nome.

 

 

Visitei e recomendo:

Elevador Lacerda
Praça Municipal
Centro histórico
Elevador Lacerda
Largo de São Francisco
Pelourinho
Praça Castro Alves
Mercado Modelo
Igreja de São Francisco 
Mercado Modelo
Farol da Barra
Praias Porto da Barra, Itapuã



Localização:
Salvador é uma das mais conhecidas cidades do Brasil. Recebe turistas do mundo inteiro. Fica na região nordeste do Brasil.



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*Texto e Fotos: Karina Motta

sábado, 24 de outubro de 2015

Independência e liberdade pelas ruas de Ouro Preto/MG

Uma das mais famosas e mais visitadas cidades de Minas Gerais é mesmo Ouro Preto. Reconhecida
interna-cionalmente por sua importância cultural, histórica e artística, a cidade foi a primeira no Brasil a receber o título de Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas (ONU) e é identificada como o município que guarda o maior conjunto arquitetônico barroco do Brasil. Por ter a honra de morar perto, visitei várias vezes o município e ainda pretendo ir mais, porém, ele sempre é surpreendente por tudo o que representa.
Famosa por suas belas ladeiras, por si, a cidade possui uma riqueza estonteante de detalhes em todos os sentidos e que atrai sempre visitantes de várias as partes do mundo. Ao chegar em Ouro Preto, vê-se o artesanato em pedra sabão e quadros retratando a cidade por todos os cantos da cidade e em ateliês, por isso, resolvi ilustrar este post com imagens de pinturas sobre o município retiradas da internet. É a primeira vez que não utilizo fotos próprias. Aliás, as retratos do interior dos pontos turísticos são proibidos a fim de evitar furtos, roubos e danificar o patrimônio. Exteriormente, os registros fotográficos são permitidos.

Ciclo do Ouro e a Incon-fidência – No século XVIII, auge do ciclo do Ouro, era a maior cidade das Américas. Toda essa influência a fez se tornar capital do estado de Minas Gerais. A maior atração eram as minas de ouro, por isso, eram cobrados altos impostos pela Coroa Portuguesa. Os anseios de liberdade fizeram com que a elite mineradora quis separar-se de Portugal e, assim, ocorreu a Inconfidência Mineira, com o objetivo de conquistar a independência do Brasil e foi assim que a elite mineira se uniu nesta luta. Participaram intelectuais, fazendeiros, militares, poetas, padre Rolim e donos de minas. Ao ser denunciada, a conjuração foi descoberta e o líder Tiradentes foi condenado à forca. Muitos outros participantes foram mandados para o exílio na África.

Os restos mortais de alguns destes exilados foram trazidos para o Museu da Incon-fidência, que é onde funcionava a antiga casa de Câmara e Cadeia. Aqui é possível encontrar, inclusive o livro original com a condenação de Tiradentes. Ainda há peças de arte sacra dos séculos XVIII e XIX, réplicas de obras de Aleijadinho e Mestre Athayde, documentos sobre a inconfidência e mobiliário de época.

Ouro Preto respira toda essa história até hoje. Cada cantinho traz a lembrança destes tempos. A praça Tiradentes é onde a cabeça do alferes Joaquim José da Silva Xavier ficou exposta. Os museus com nomes de casa, já que serviam de residência, como é o caso da dos Contos, a Guignard e de Cláudio Manuel da Costa, que possuem itens originais da época.

A primeira foi moradia do administrador de impostos da capitania de Minas Gerais, funcionou como intendência do ouro e também como prisão dos inconfidentes. Encontram-se expostos móveis dos séculos XVII e XIX, coleção de moedas, documentos antigos e biblioteca. Nos tetos, as pinturas são de Mestre Athayde. Próximo dali, está o mais famoso chafariz de Ouro Preto, o dos Contos.

A Casa Guignard é onde viveu o famoso artista plástico Alberto da Veiga Guignard, que tão bem retratou as Minas Gerais em seus quadros. Há exposição de suas telas, objetos pessoais e um chafariz em pedra-sabão feito por Aleijadinho.

Museus – Toda Ouro Preto é um museu a céu aberto. É de encantar! Há alguns específicos e que geralmente funcionam nos anexos das igrejas. E a terra de tantos personagens históricos e importantes também acolheu renomados artistas que têm seus belíssimos trabalhos guardados nas próprias igrejas da cidade. Mestre Athaíde e Aleijadinho são os principais.

Igrejas – O Barroco e Aleijadinho se fazem presentes em todo o município, princi-palmente, nas mais de 20 igrejas e capelas da cidade. Tudo permeado pelo ouro retirado das minas e utilizado também nas esculturas e detalhes arquiteturais dos templos. Já no centro da cidade, encontram-se a Matriz Nossa Senhora do Pilar e a igreja São Francisco de Assis. Esta pode ser considerada a mais esplendorosa de todas. Aleijadinho deixou sua marca registrada em vários pontos do templo como na fachada e no lavabo da sacristia. Já Mestre Athaíde assina a pintura do forro da nave e está presente também no altar-mor.

E se ouro é uma das marcas da cidade e das igrejas, que tal conhecer uma com mais de 400 kg do mineral? Esta rica orna-mentação está na Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar. O barroco está em todo o seu esplendor presente neste templo e em seu subsolo ainda é possível conhecer o Museu de Arte Sacra. Mais uma vez, Mestre Athaíde e Aleijadinho são responsáveis por muitas obras.

Já o pai de Aleijadinho, Manuel Francisco Lisboa, é o responsável pelo projeto da Igreja Nossa Senhora do Carmo onde predomina o estilo rococó e há azulejos portugueses na capela-mor. Para variar, Aleijadinho e Mestre Athaíde também contribuíram com seus trabalhos em alguns espaços da igreja. No anexo do prédio, o Museu do Oratório, onde estão expostos mais de 160 oratórios dos séculos XVII ao XX, que surpreendem pela diversidade de formatos. O pai de Aleijadinho também executou e projetou a Matriz Nossa Senhora da Conceição e é aqui onde pai e filho estão enterrados. Na sacristia deste templo, funciona o Museu de Aleijadinho, com algumas obras do artista.

As formas arre-dondadas estão presentes na Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Como manda a tradição, não há muita presença do ouro neste projeto. Em meio a tantas igrejas, há inclusive uma do Rosário dedicada aos brancos. Tradicionalmente, destinada aos negros, a Capela Nossa Senhora do Rosário dos Brancos ou, como também é conhecida, de Padre Faria vai na contramão desta tradição. Este pároco rezou a primeira missa na região. Ao conhecê-la, lembrei-me da Igrejinha do Ó em Sabará, ela surpreende pela simplicidade externa contrastando com o riquíssimo interior. Conta-se que havia uma igreja da irmandade do Rosário que acolhia brancos e negros, mas os negros expulsaram os brancos que formaram outra igreja. O sino e a cruz foram construídos posteriormente.

Teatro – O teatro mais antigo da América Latina é a Casa de Ópera de Vila Rica. Assim como em , Dom Pedro chegou a frequentar o camarote da família real.
Sabará

Eventos – Muitos festivais e mostras invadem a cidade durante todo o ano. Jazz, cinema, Letras e o Festival de Inverno. A festa do 12 também é bem tradicional. Neste evento, comemora-se o aniversário da Universidade Federal de Ouro Preto. Realizada em outubro, ela é uma confraternização que reúne antigos e novos estudantes além de turistas, é claro.

Além disso, possui um dos carnavais mais animados do país. Quando adolescente, fui conhecer o carnaval de Ouro Preto, para acompanhar os desfiles dos blocos alegóricos. Há bandas tradicionais que fazem a festa e animam os foliões.

A Semana Santa é um espetáculo à parte. Os turistas podem participar da confecção dos tradicionais tapetes de serragem que enfeitam as ladeiras da cidade, que conta ainda com procissões. Tive o privilégio de passar este período em um dos distritos mais charmosos de Ouro Preto, que é Lavras Novas (posteriormente, teremos um post específico sobre a localidade e a celebração).

Hospedagem ­– Por morar bem próximo, sempre passo apenas o dia em Ouro Preto nas vezes em que a visitei. Apenas uma das vezes, optei por comemorar o ano novo em um hotel que é na estrada para a cidade (rodovia dos Inconfidentes), o Sesc Estalagem. Este é um lugar interessante, onde funcionou o antigo hotel Estrada Real. São 2,25 milhões de metros quadrados, que fica ao lado da reserva ecológica do Tripuí. A ambientação do local é voltada para a tradição mineira com carros de boi, carruagem. Há ainda playground trilhas de caminhada, lareira, academia, quadras, piscinas e sauna.

Também há opções para todos os bolsos e gostos na sede do município quando o quesito é hospedagem, inclusive, algumas bem próximas às atrações turísticas. Algo bem tradicional é a república, moradia de estudantes. Principalmente, nas principais festas (do 12 e Carnaval, por exemplo), elas hospedam turistas a preços bastante módicos.

Localização:
Ouro Preto pertence à Estrada Real e dista 98 Km da Capital mineira, Belo Horizonte.

Visitei e recomendo:
Museu da Inconfidência
Praça Tiradentes
Casa dos Contos
Chafariz dos Contos
Casa Guignard
Casa de Cláudio Manuel da Costa
Casa Guignard
Igrejas: Matriz Nossa Senhora do Pilar, Matriz Nossa Senhora da Conceição São Francisco de Assis, Nossa Senhora do Carmo, Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, Capela Nossa Senhora do Rosário dos Brancos
Museus: de Arte Sacra, de Aleijadinho Igreja
Teatro
Eventos: Festivais do Jazz, das Letras, de Inverno, Festa do 12, Carnaval, Semana Santa


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*Texto: Karina Motta 
Fotos: reprodução internet 

sábado, 22 de julho de 2017

As riquezas de São Bartolomeu/MG

Rio das Velhas, barroco e a famosa goiabada cascão, patrimônio imaterial de Minas Gerais são os destaques do distrito de Ouro Preto
O pequeno distrito de OuroPreto, chamado São Bartolomeu, é bem pequeno e tem menos de 800 habitantes, mas uma infinidade de patrimônio que torna a localidade muito rica.



O barroco do século 18 está presente em todo canto. O rio das Velhas, principal afluente do rio São Francisco corta todo o lugar. Sem falar na tradição dos doces, que rendeu o título de partrimônio imaterial de Minas Gerais à goiabada cascão fabricada aqui.
As lojinhas vendem todo o tipo de doce fabricado lá.
Já entrando no local, vê-se o casario histórico e a Capela Nossa Senhora das Mercês no alto, de onde se vê toda a localidade. 


Antes de chegar até ela, passamos pela Matriz de São Bartolomeu, considerada uma das primeiras de Minas e é tombada pelo Patrimônio Histórico Nacional. Elas são do século XVIII.

Considera-se que o distrito nasceu antes de Ouro Preto, pois, é por onde passavam os bandeirantes que se refrescavam e acampavam às margens do rio das Velhas.

Passamos por São Bartolomeu para conhecê-lo quando voltávamos de Ouro Preto. Resolvemos almoçar lá para conhecer mais um dos 13 distritos de Ouro Preto, por isso, ficamos apenas no centro e não conhecemos as cachoeiras que dizem ser maravilhosas. Além do mais, estava bem frio. Não tivemos tempo também de conhecer o Parque Florestal Uaimii.
Ao pesquisar na internet, optamos por almoçar no restaurante Casa do Parque. Ele é bem acolhedor e tem excelente tempero. É uma agradabilíssima surpresa em meio à natureza. O tratamento ao cliente é vip. Desde sua chegada, o acolhimento, atendimento e gentileza do chef Harold é especial. Ele te deixa à vontade e interage de forma a deixar o passeio ainda mais agradável. O tempero é muito gostoso e ainda faz sugestões para deixar a sua experiência ainda mais proveitosa. Ele nos presenteou com uma entrada saborosíssima e, ao pedirmos o risoto de cogumelos, sugeriu acrescentarmos aspargos frescos, o que deixou o prato ainda mais saboroso. O ambiente é intimista e o atendimento impecável. Supera expectativas. 




Ao mesmo tempo em que cozinha, ele interage com o cliente. Ele não é mineiro e nem serve comida mineira em seu estabelecimento, mas nos deixa tão à vontade como se estivéssemos na cozinha de uma mineira cozinhando e contando causos. Ele divide conosco sua experiência de vida e deixa o almoço ainda mais gostoso. A especialidade é cozinha italiana e internacional.

Localização: São Bartolomeu é distrito de Ouro Preto e fica a 70 km da capital mineira. Ouro Preto pertence à Estrada Real.


Visitei e recomendo: Capela Nossa Senhora das Mercês

Igreja Matriz de São Bartolomeu

Restaurante Casa do Parque


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*Texto e fotos: Karina Motta

domingo, 13 de outubro de 2024

Festa do Rosário em Chapada do Norte/MG

Há muitos anos queria conhecer essa linda festa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos em Chapada do Norte/MG. Desde que minha amiga foi trabalhar lá na década de 1990. Ela voltou e não fui. Agora, meu marido tem uma sócia que é de lá e combinamos de ir esse ano ficar na casa dela. 











São mais de 200 anos de existência misturando fé e cultura. A celebração é reconhecida, desde 2013, como patrimônio cultural imaterial do estado de Minas Gerais







Todo ano é eleito o rei e a rainha que cuidarão de todos os preparativos da próxima festa, que sempre garante muita comida, licores, doces, danças, tambores, apresentações e ancestralidade. 






A festa é orientada pela tradicional Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. A origem vem da cultura afro-brasileira, traz todos os elementos de resistência da população negra e da luta contra exclusão, apagamento, racismo estrutural e violência. As irmandades sempre serviram de locais de apoio para os povos negros. 


Alguns dos eventos, honram os saberes ancestrais como: o Mastro a Cavalo, a Quinta do Angu e a Buscada da Santa, o Tambor, a Congada e os Cavaleiros do Mastro. 

Na manhã de sábado, há a Buscada da Santa no Córrego do Rosário, pois a tradição local diz que a santa apareceu nas águas e delas saiu apenas quando os devotos negros que a cultuavam foram buscá-la, pois diz que ela foi encontrada no rio e levada por homens brancos ao altar da igreja, mas ela sempre voltava para o rio e só aceitou ficar na igreja quando foi um grupo de homens negros com tambores e equilibrando garrafas na cabeça que foi buscá-la.

No domingo pela manhã ocorre a Missa da Festa. E, no final da tarde, há Procissão e a Coroação. Os festeiros percorrem diversas ruas da cidade em cortejo e retornam ao Largo do Rosário para a coroação de Nossa Senhora do Rosário. Várias meninas vestidas de anjos coroam Nossa Senhora.

Há também encenações  dos embates entre mouros e cristãos.

A Rainha e o Rei Festeiros, membros da irmandade, um homem e uma mulher, são escolhidos pelos irmãos do Rosário para organizar e promover a festa a cada ano. Dentre outros afazeres, eles devem preparar banquetes e oferecer o Angu da Festeira e o Doce do Festeiro e organizar os Leilões, pedem doações para pagar os custos da Festa.

Por último, na segunda-feira, é a Cerimônia da Posse, em que há a transferência das coroas dos festeiros do ano corrente para os Reis Novos.


















































Os tambores são afinados no calor do sol e do fogo. Os Tamborzeiros realizam cortejos nas ruas da cidade. O grupo é composto por homens.

















Na manhã de quinta-feira, a Congada de Nossa Senhora do Rosário se reúne para a cerimônia de Lavagem da Igreja. Alguns vão buscar a água no rio Capivari para lavar a igreja. e usam vassouras de capim, galhos e ramos na limpeza.






A igreja é do século XVIII, estilo barroco. Foi tombada pelo Iepha em 1980. Arquitetura simples, mas com muita riqueza, brilho e cores em seu interior.






















































Há também a igreja Matriz de Santa Cruz. Ela fica na praça principal e também pertence ao barroco e também foi tombada pelo Iepha em 1980.

























A cidade: 




























Localização:

Localizada às margens do Rio Capivari e distante 522 km da capital Belo Horizonte