Em Minas Gerais, no distrito de Cocais, podemos ver de perto desenhos que
nossos ancestrais pintaram. Inscrições foram feitas há mais de seis mil
anos
Em uma vila
colonial mineira, um pequeno distrito denominado Cocais, há um resgate da arte
pré-histórica, com registros de nossos ancestrais que datam de seis mil anos. É a nossa história viva inscrita nas rochas por meio de
desenhos: contagem dos dias, animais...
Emocionante! A arqueologia agradece. E
a natureza em volta? Você, querido leitor, não imagina a grandiosidade e beleza
que o espera! Esta é mais uma joia da Estrada Real.
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Caminho que leva às rochas com inscrições rupestres |
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No sítio arqueológico, há uma pedra em formato de rosto |
A
descoberta do Sítio Arqueológico Pedra
Pintada foi do paleontólogo Peter Lund, o mesmo que encontrou o crânio da
Luzia – mulher mais antiga do continente - na região de Lagoa Santa/MG. Trata-se
de uma propriedade particular e o senhor José Roberto, o dono do terreno onde
se encontra o sítio arqueológico, é muito simpático e atencioso com os
turistas.
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Sr. José Roberto nos mostrando onde nossos antepassados se escondiam da chuva, animais, frio... |
O nome da
localidade - Cocais – que é distrito de Barão de Cocais, deve-se à grande quantidade de coqueiros do
local.
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Panorâmica da vila |
Completam o cenário, casas coloniais e as igrejas barrocas: Santana, do Bonfim e Matriz do Rosário. A primeira foi
construída em pedra e tem pinturas com motivos orientais, conhecidas por
chinesisses, além de imagens de santos talhados na madeira e a característica
mineira de ter o altar-mor folheado a ouro. Era a capela particular dos
fundadores do distrito, família Furtado Leite e da família Pinto Coelho, da
qual Barão de Cocais era descendente. Ele está sepultado no interior da igreja.
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Igreja Santana |
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Igreja do Bonfim |
A do Bonfim
ocupa lugar no terreno onde era a fazenda Estalagem. O coronel da época estava
com a filha doente e prometeu construir uma igreja caso ela se curasse e assim
foi feito. A original, construída no século XVII em pau a pique, era muito
parecida com uma das igrejas que mais admiro em Minas Gerais: a
igrejinha do Ó em Sabará, porém, ela foi demolida em 1973 e foi
construída outra em alvenaria no seu lugar.
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Igreja do Rosário |
E a matriz, por ser do Rosário, foi construída
para que negros e mestiços a frequentassem. Ao seu redor há um chafariz e um
cruzeiro. Esta vai para a minha coleção particular de fotos
dos templos dedicados a Nossa Senhora do Rosário.
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Pintura no teto da igreja do Rosário |
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Altar da igreja do Rosário |
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Estilo colonial prevalece na arquitetura na vila |
Fiquei
hospedada na Pousada das Cores e
achei muito interessante o trabalho cultural desenvolvido pelo proprietário. Além
disso, as refeições são elaboradas com verduras, legumes, frutas e flores
comestíveis que ele mesmo ou seus vizinhos cultivam. Ainda tem uma lojinha com
produtos da região para serem vendidos: farinhas, licores, geleias, vinagres ...
Há também a
igrejinha de São Francisco e Santa Clara, um castelinho onde é a recepção,
adega, claro, pois um lugar aconchegante e bonito merece ser apreciado como um
bom vinho e ainda um pequeno alambique.
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Interior da igrejinha São Francisco e Santa Clara na pousada das Cores |
Por toda a
pousada há esculturas em pedra que enfeitam o ambiente. Para completar o clima
cultural, foram montados dois museus na pousada: o do índio e do imigrante.
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Museu do Imigrante na pousada das Cores |
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Museu do Índio na pousada das Cores |

Agora, para conhecer um pouco mais da cultura, modo de vida dos moradores de
Cocais, basta visitar o
museu Fernando
Toco, um antigo morador, senhor Augusto Bento do Nascimento, que, durante
toda a sua vida, colecionou objetos que contavam a história da Vila. O museu funciona
em um imóvel que pertenceu ao Barão de Cocais.
Localização:
Cocais fica a 80 km
de Belo Horizonte.
Visitei e recomendo:
Sítio Arqueológico Pedra Pintada
Igrejas Santana, do Bonfim e Matriz do Rosário
Museu Fernando Toco
Pousada das Cores
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*Texto e crédito das fotos: Karina Motta