Mais uma vez fui encantada pelo walking tour da agência Vamos Viver e Viajar . Com a proposta de fazer uma caminhada cultural literária, percorrendo locais que inspiraram obras de escritores e poetas em Belo Horizonte, fizemos este passeio gratificante por meio do projeto O Beabá de Beagá.
O roteiro começa na rua Sapucaí. com a Estação Ferroviária ao fundo onde os escritores chegavam à cidade e termina na praça da Savassi, onde tem estátuas de autores mineiros. São cerca de 3 km percorridos, com duração média de 3 horas.
Fiquei encantada com esse passeio. Reconheci minha cidade natal. Impressionante como o dia a dia nos impede de conhecer e reparar detalhes. Até prédios inteiros que eu nunca percebi como particularidades arquitetônicas. E o caro leitor do BLOG VIAGENS PELO BRASIL sabe como amo arquitetura e reparo em detalhes das cidades que visito.
Exemplos como o Parc Royal, onde funcionou a livraria Itatiaia em que a denominação do prédio está bem destacada e eu nunca tinha visto. Neste prédio, funcionou uma loja de grifes e ficava lotada, sempre com fila na porta.
A livraria Francisco Alves, que tinha livros raros e vindos de vários locais onde os escritores adoravam atualizar seu acervo literário.
Ou mesmo o emblema de BH na fachada do Museu de Moda, que funcionou como Câmara Municipal em seu início.
A cada parada, o Júlio, guia que nos acompanhou, mostrava fotos de como era o local antigamente e lia um texto sobre o local.
Paramos em 10 pontos históricos de BH. o primeiro, foi o viaduto Santa Tereza. Soubemos que o poeta Carlos Drumond de Andrade só atravessava o viaduto escalando seus arcos. Certa vez, quase foi preso.
Seguimos para o mercado das flores., que era o ponto dos bondinhos, meio de transporte em certa época em BH.
A próxima parada foi no Othon Palace e o edifício ao lado dele. Antigamente, era uma construção que ocupava os dois prédios e onde funcionou o bar do ponto onde os escritores e a sociedade belo-horizontina se encontravam na década de 1920. Era muito movimento pela sua localização (no cruzamento das principais linhas de bonde da cidade). O bar foi demolido para dar lugar ao hotel Othon Palace.
Começamos a encontrar as estátuas de escritores que foram marcados por BH. Todas elas são do artista plástico Léo Santana. Seguindo a rua da Bahia, chegamos à rua Goiás, na chamada praça da Poesia, com as estátuas de Drummond e Pedro Nava. Infelizmente, o vandalismo fez com que o poeta Drummond tivesse suas mãos roubadas.
Em frente, temos o edifício Maletta, que, originalmente, era o Grande Hotel (foi demolido e o prédio construído em seu lugar levou o nome do dono do hotel) onde os escritores que não eram de BH ficavam hospedados e onde se hospedou também da Costa que veio para a Capital Mineira querendo trabalhar na Santa Casa e foi o pioneiro em cirurgia gástrica em Minas e fundou a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte.
Passamos pelo monumento Rômulo Paes, projeto do arquiteto Gustavo Penna: "minha vida é esta. Descer Bahia, subir Floresta. Rômulo foi um compositor brasileiro, principalmente, de marchinhas de carnaval.
Chegamos à nova sede da Academia Mineira de Letras e onde Borges da Costa também morou por um tempo.
A próxima parada é na Biblioteca Pública, com as estátuas denominadas Encontro Marcado, em homenagem aos escritores mineiros Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino. Quarteto conhecido como os quatro cavaleiros do Apocalipse.
Ali perto também ficava a estátua do escritor Murilo Rubião indo de encontro aos colegas , mas conseguiram jogar a estátua no chão. A prefeitura a recolheu e não voltou com ela mais para o lugar. Há apenas a placa e os resquícios de onde ela estava instalada.
Seguindo, encontramos o Minas Tênis Clube e a estátua do compositor Pacífico Mascarenhas, que tanto ajudou o Clube da Esquina.
Caminhando, chegamos à Savassi e a primeira estátua encontrada é a do escritor e jornalista Roberto Drumond, que passou a morar em BH a partir da sua adolescência.
E, em frente onde morou, a estátua de Henriqueta Lisboa. Ela foi a primeira mulher eleita da Academia Mineira de Letras. Infelizmente, suas mãos e o livro que ela segurava foram roubados.
Ganhamos cartões postais do projeto O Beabá de Beagá e demos muita sorte. Fiquei com o da Henriqueta Lisboa segurando o livro em sua estátua sem ser depredada e meu marido do de Roberto Drumond. Quando disse que não prestamos atenção na cidade na correria do dia a dia não estava mentindo. Mesmo passando a pé várias vezes ao lado da estátua de Roberto Drumond, meu marido confessou que nunca a havia percebido ali. Um alerta para desacelerarmos e prestarmos atenção nos detalhes da cidade onde moramos.
Para saber as histórias detalhadas e a oportunidade de ver fotos antigas de Belo Horizonte, recomendo que todos façam esse encantador passeio.
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