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terça-feira, 10 de julho de 2012

Diamantina é o cenário perfeito


Várias séries, novelas e filmes foram gravados na cidade de Diamantina/MG. Apenas para citar alguns: as minisséries A Cura – Globo, Rei Davi – da Record; as novelas A Padroeira e Irmãos Coragem – da Globo, os filmes A Dança dos Bonecos - de Helvécio Ratton e Chica da Silva – de Cacá Diegues. Este município tem turismo para todos os gostos, com belas cachoeiras, grutas, arquitetura colonial, igrejas barrocas, muita música e carnaval, por isso, não é à toa que virou o cenário preferido para gravações. A cultura está mesmo incrustada em cada esquina ou beco da cidade.
Casa de Chica da Silva

Com todo este panorama, nada mais natural do que a cidade também ser palco da vida de personalidades como Juscelino Kubitschek e Chica da Silva (a escrava que virou lenda por sua forte personalidade). Toda a história de vida pode ser conferida nas e casas onde eles moraram. Outro museu a ser visitado é o do Diamante, que possui um rico acervo de equipamentos de extração do mineral, arte sacra e mobiliário e utensílios de época.


Na chegada à cidade, percebe-se o tom acobreado das folhas de árvores e flores típicas da região, demonstrando ao turista a paisagem do cerrado. Uma exuberante paisagem pode ser encontrada, ainda, por quem segue o caminho de pedra construído pelos escravos. Já na arquitetura bem conservada, o que surpreende é a imensidão de detalhes. Conta-se que a do Mercado Municipal serviu de inspiração a Oscar Niemeyer para a fachada do Palácio do Planalto, em Brasília. Aliás, no mercado, é realizada a feira de artesanato e comidas típicas todo sábado. Porém, a marca registrada da arquitetura diamantinense e cartão postal da cidade é a Casa da Glória. São duas casas construídas em épocas diferentes, sendo que cada uma fica de um lado da rua. Elas são ligadas por um passadiço, que, na época das irmãs vicentinas, teve a função de evitar que as internas fossem alvo dos olhares dos rapazes, pois, para atravessar a rua, elas passavam por ele.
Casa da Glória é o principal cartão-postal de Diamantina

Caminho dos Escravos liga Diamantina ao distrito de Mendanha e é por onde os tropeiros  passavam
Mercado velho





Igreja N. S. do Carmo
As inúmeras igrejas são lindas. Cada uma possui história e riqueza como em toda a cidade. Nelas, encontram-se obras de Aleijadinho, peças em ouro e muitos detalhes. A Nossa Senhora do Carmo, por exemplo, tem uma peculiaridade: a torre fica na parte de trás. Conta-se que foi uma exigência de Chica da Silva, pois o badalar do sino a incomodava por ficar muito próximo à casa dela. Na Capela Senhor do Bonfim, o interessante é a torre única na fachada.

A mais antiga delas é a minha venerada Nossa Senhora do Rosário. A parte da frente tem um chafariz e a fachada é em rococó. O barroco é encontrado no prédio da São Francisco, mas esta igreja mistura ainda os estilos neoclássicos e rococó. O gótico pode ser encontrado na Basílica do Sagrado Coração de Jesus, que também possui impressionantes vitrais franceses. Já a diferença da igreja Nossa Senhora das Mercês é que ela tem os púlpitos como se fossem camarotes, dando a sensação de estar em um teatro.

Vila de Biribiri – A vila foi construída para abrigar os operários de uma antiga fábrica de tecidos, que está desativada. Apenas duas famílias moram lá ainda, mas, na alta temporada e em finais de semana, as casinhas são alugadas para os turistas. Porém, até chegar à Biribiri, surpreenda-se com limpidez das águas da cachoeira dos Cristais. Ela pode ser comparada ao brilho dos diamantes que deram nome à cidade. Se Diamantina é famosa por suas riquezas minerais, tenha a certeza de que suas preciosidades não param por aí. Há ainda o ecoturismo e o artesanato com as bonecas de cerâmica do Vale do Jequitinhonha, anjos feitos com as flores sempre-viva, tapetes arraiolo. E para completar só mesmo saboreando um delicioso frango ao molho pardo. Hummmm... minha boca enche d'água só de lembrar...

Vesperata – Uma das expressões culturais mais marcantes de Diamantina é a música. Desde as serestas que tanto agradavam JK à já consagrada Vesperata. Este é um evento que reúne multidões na rua da Quitanda para assistirem aos músicos das bandas locais se apresentando das sacadas dos casarões. Meu primeiro propósito ao visitar a cidade foi o de conhecer essa encantadora maravilha. É lindo! E que tal assistir a um concerto dentro de uma gruta? Pois, não se assuste. Diamantina te oferece essa experiência única. Por si só a gruta do Salitre impressiona e realmente emociona ao ser embalada pelo som de instrumentos musicais. Aos domingos, é a vez de todos se encontrarem no Café do Beco, que tem apresentações musicais e muito artesanato.


Desde 2002, Diamantina é considerada Patrimônio Histórico da Humanidade pela Unesco. Bem, diante de tanta opulência histórica, cultural e natural só mesmo visitando a cidade para surpreender-se com sua suntuosidade. Fica aí o convite!


Visitei e recomendo:

Vesperata
Casa de Chica da Silva
Casa da Glória
Casa de JK
Beco do Motta
Gruta do Salitre
Igrejas
Vila de Biribiri e cachoeiras dos Cristais e Sentinela
Café do Beco


Localização:
Está a 292 km de Belo Horizonte, na região do Jequitinhonha (Norte de Minas Gerais).

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                                                                   *Texto e crédito das fotos: Karina Motta

terça-feira, 6 de março de 2012

Simplicidade e praia são as marcas de São Francisco do Itabapoana


Se você quer curtir uma praia que tenha água quentinha para o banho, mar tranquilo e preços acessíveis para o pacote e consumo nos quiosques, não deixe de conhecer São Francisco de Itabapoana, que fica no estado do Rio de Janeiro. Estive duas vezes lá e gostei da diversão saudável e barata. Hospedei-me no hotel tio Martins, que tem acomodações simples, porém, tudo é muito aconchegante. Você se sente em casa. E o que é melhor: basta atravessar a rua e você já está na areia da praia.

“Tenho uma hóspede que já veio a São Francisco várias vezes. Ela sempre me disse que viaja muito, hospeda-se em diversos hotéis, mas nunca conheceu o dono de nenhum deles. Mesmo simples, a convivência com o dono do estabelecimento em toda a estadia é um diferencial marcante para quem nos visita”, explica Miguel Martins, o tio Martins.

Para deixar o hóspede ainda mais à vontade, o hotel oferece música ao vivo e promove bingos para entreter os visitantes da pacata praia do Sonho à noite. “Antigamente, eu fazia uma brincadeira de esconder as chaves do hotel e pedir para os hóspedes procurá-las. Quem achava, recebia um prêmio simbólico. Meu objetivo era fazer com que as pessoas conhecessem o hotel, prestassem atenção em detalhes, que, se não fosse a brincadeira, passariam despercebidos. Era uma farra!”, conta tio Martins, empolgado.

Nove praias estão espalhadas ao longo dos 60 km de mar. Encontra-se de tudo: tranquilidade, movimento, pescadores, artesanato... A escolha de qual delas quer freqüentar, depende do seu espírito.

A praia do Sonho é um ótimo lugar para recarregar as energias. A calmaria só é quebrada quando alguns visitantes (como em qualquer praia) teimam em fazer competição de som, com músicas que, às vezes, você não quer escutar naquele momento.

O point da cidade é a praia de Santa Clara. Muito frequentada, nela, o turista tem acesso a artesanato, shows (na alta temporada), comércio, hotéis e pousadas.

A região conta ainda com várias casas de veraneio. Quem quer curtir uma praia e degustar camarão e peixes nos quiosques a preços módicos, realmente precisa conhecer São Francisco de Itabapoana.

Visitei e recomendo:

Praias do Sonho e Santa Clara

Localização:

São Francisco de Itabapoana fica no Rio de Janeiro, divisa com o Espírito Santo. A cidade dista  324 km da capital carioca e 70 km de Marataízes, no litoral capixaba.  


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*Texto e crédito das fotos: Karina Motta









                                                                                               

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O litoral paranaense em Morretes

 Degustação de barreado faz parte do passeio


Uma cidade histórica cercada por montanhas e banhada pelo mar. Existe combinação mais atrativa para uma mineira? Só  poderia mesmo adorar este passeio. Em Morretes também aliei o que mais gosto a esses ingredientes magníficos: foi lá que experimentei o barreado – comida típica de lá. Muito bom por sinal! Como estava de carona com conhecidos, não cheguei à cidade litorânea do Paraná por meio da maria fumaça, mas só pelas fotos pude ter a sensação de que seria uma maravilha! Recomendo para quem tiver a oportunidade, pois a vista é magnífica.

O centro da cidade é uma graça, com casarões antigos, a igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto e é por onde passa o rio Nhundiaquara.  Já com relação à Estrada Graciosa,  o próprio nome diz tudo e dispensa comentários. As pequenas pontes rendem lindas fotos. O município é pequeno, mas muito acolhedor. O turismo de aventura tem um apelo grande em Morretes, mas, como já expliquei em posts anteriores, não sou adepta a aventuras.

Barreado – O destaque do barreado é a atenção com que essa comida típica é preparada. Farinha e arroz fazem parte dessa iguaria no prato, porém, vários outros acompanhamentos como salada e banana à milanesa completam essa delícia. Trata-se de uma carne de panela, que fica um dia inteiro cozinhando. Isso a deixa bem macia, dissolvendo na boca. Os moradores locais contam que tem esse nome porque, antigamente, o preparo do prato era feito em uma panela de barro alta e a tampa era vedada com barro também (expressão conhecida como barrear a panela) para que, depois de levada ao fogo, a panela fosse enterrada a fim de terminar o cozimento da carne, por isso, demorava-se muito para ficar pronta.

Depois desse almoço, uma dica é saborear o sorvete caseiro vendido em várias lojinhas da cidade. Ao mesmo tempo, conheça o artesanato local, passeando pela pracinha do coreto onde há muitos artesãos. 

Visitei e recomendo:
Centro da cidade
Pracinha do Coreto
Igreja Matriz de Nossa Senhora do Porto
Rio Nhundiaquara
Estrada Graciosa

Localização:
Morretes fica na região sul do Brasil, a 74 km de Curitiba, capital do Paraná.

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                                                             *Texto e crédito das fotos: Karina Motta

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Eleitas as sete maravilhas da Estrada Real

O circuito da Estrada Real é muito procurado pelos turistas e, após alguns meses de votação popular, foram eleitas as sete maravilhas da Estrada Real, sendo que seis delas estão localizadas em Minas Gerais. As escolhidas foram: a Cachoeira do Tabuleiro, que fica no município de Conceição do Mato Dentro; Gruta da Lapinha, em Lagoa Santa; Praça Minas Gerais, em Mariana; Santuário do Caraça, em Catas Altas; Teatro Municipal, em Sabará; Parque Nacional da Serra do Cipó; e o único destaque que não é mineiro é o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida, no estado de São Paulo. A partir das localidades eleitas, o objetivo agora é potencializar o turismo com vistas às Copas do Mundo e das Confederações. Os atrativos serão divulgados no exterior. 
Gruta da Lapinha - Crédito: site Prefeitura de Lagoa Santa

Serra do Cipó
Concorridíssima a lista das maravilhas. Tive vontade de votar em todas, pois cada uma tem sua importância
e beleza, porém, não conheço pessoalmente todas que concorreram e, sim, a maioria. Das eleitas, por exemplo, preciso conhecer a cachoeira do Tabuleiro. Já está na minha lista e depois comento com você, caro leitor, minha impressão sobre esse local aqui no BLOG VIAGENS PELO BRASIL.

Participaram da votação, 21 lugares de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. A lista das localidades foi decidida no sentido de divulgar atrações e belezas menos conhecidas do circuito. O concurso foi promovido pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), por meio do Instituto Estrada Real.
Santuário Nossa Senhora Aparecida
Santuário do Caraça
Ao todo, 199 cidades fazem parte da Estrada Real, totalizando 80 mil quilômetros quadrados de área.  Era
denominada Estrada Real a rota criada, no século XVII, pela  coroa portuguesa. Por ela, passavam todas as riquezas e mercadorias. Assim, neste percurso, houve povoamento e exploração econômica, surgindo as localidades.


Teatro Municipal de Sabará

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                                                             *Texto e fotos: Karina Motta

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Curitiba é a cidade projetada para o futuro

Rua 24 horas
A impressão é de que tudo foi pensado nos mínimos detalhes com vistas à modernidade. Cada parque, cada museu, cada espaço e o transporte púbico chamam a atenção. Não é de se estranhar que todo turista, ao chegar em Curitiba, quer primeiro conhecer o Jardim Botânico. O complexo traduz perfeitamente o espírito da cidade e se tornou referência internacional. O jardim conta com canteiros geométricos, a estufa é uma maravilha de ferro e vidro. Dá vontade de passar o dia todo contemplando tanta diversidade e beleza, sem se cansar. Tanto quanto imponente é a Ópera de Arame, com uma passarela de acesso sobre um lago de 7.200 m2 e a construção toda em aço coberta por uma estrutura transparente, que permite contemplar toda a flora ao redor. E, para simbolizar a modernidade, nada melhor que uma rua 24 horas onde funciona comércio, bancos, restaurantes, bares e cafés. Inclusive, um dos orgulhos dos paranaenses, demonstra essa visão de futuro. Eles possuem a primeira universidade do Brasil a ser reconhecida como um conjunto de cursos de nível superior. Quem quiser ter uma visão geral de Curitiba, basta visitar a torre panorâmica, que possui quase 110 metros de altura. No mirante, tem-se uma vista de 360º de Curitiba.

Uma construção curiosa é o teatro Paiol. Como o próprio nome insinua, utiliza o espaço que antes abrigava um paiol de pólvora, construído em 1906, que foi todo restaurado e reciclado para dar lugar a um teatro de arena. Mais uma tendência moderna de se reciclar até mesmo o uso dos prédios significativos da cidade, de valor histórico, comercial e turístico. 


O famoso sistema de transporte público parece realmente funcionar e, para facilitar a vida do cidadão, os principais órgãos do serviço público municipal estão reunidos em um só lugar, no centro da cidade. A principal rua de  Curitiba é a XV de novembro. Nela, concentram-se lojas, bancos, ou seja, o comércio local. Encontra-se de tudo lá. É nesta rua também que está o prédio que fica todo iluminado e ornamentado próximo ao Natal, onde são realizadas as apresentações dos corais infantis.

Porém, se o objetivo é conhecer o lado mais antigo de Curitiba, basta se dirigir ao centro histórico, que possui construções do século XVIII e arquitetura diferenciada, inspirada na Alemanha. Aos domingos, há a tradicional feira de artesanato no Largo da Ordem. Neste local, encontra-se um lindo relógio das flores e a minha tão admirada igreja do Rosário.  Em se tratando de igreja, não deixe de visitar também a Catedral Basílica de Curitiba, uma construção que segue o estilo neo-gótico. A arquitetura é muito bonita. Já em outro ponto da cidade, é possível ver o antigo prédio da prefeitura municipal, com detalhes neo-clássicos e art-nouveau.
Catedral Basílica de Curitiba


Um bairro que deve ser visitado é o Santa Felicidade, região do vinho de mesmo nome, comercializado em todo o país. Lá, o  ponto alto é a gastronomia. Uma delícia a polenta frita. O queijo então? O artesanato, móveis em vime e as construções em estilo europeu completam o charme do local. Outro lugar charmoso é a praça do Japão, com cerejeiras vindas direto do país. Como não poderia deixar de ser, lagos, jardins, tudo lembra e homenageia os japoneses.

Tal qual a cidade de Belém, já retratada neste BLOG VIAGENS PELO BRASIL, Curitiba é cercada por parques e áreas verdes. Comece a visita pelo Passeio Público, que fica na região central da cidade. Imperdível é a visita à Universidade Livre do Meio Ambiente – um local encantador - e os parques Tanguá e Barigui, um dos maiores parques da cidade, com diversos animais e uma infraestrutura para o turista e visitante curtirem o dia todo numa clara alusão ao ponto-chave de Curitiba: ser moderno é aliar o novo e o avançado sem deixar de lado a preocupação com o futuro, a preservação do meio ambiente, estar antenado à importância do lazer e da cultura. 

Visitei e recomendo:
Jardim Botânico
Ópera de Arame   
Rua da Cidadania
Centro Histórico
Igreja do Rosário
Catedral Basílica de Curitiba
Bairro Santa Felicidade
Praça do Japão
Passeio Público
Torre Panorâmica
Prédio antigo da prefeitura
Universidade Livre do Meio Ambiente
Parque Barigui
Parque Tangá

Localização: 
Curitiba fica no sul do Brasil e é a capital do Paraná.


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                                      *Texto e crédito das fotos: Karina Motta

terça-feira, 22 de novembro de 2011

As histórias do senhor Francisco e a lavoura cafeeira em Coqueiral

Um casal com personalidades distintas. Ela tímida, calada e com mãos de fada para o preparo de deliciosos quitutes. Ele extrovertido, cheio de histórias para contar (inclusive fatos marcantes da cidade) e muito trabalhador. Foi esse simpático casal formado pela dona Nair e senhor Francisco que nos hospedou em Coqueiral, cidade do sul de Minas Gerais.

 
 
 
A recepção foi calorosa. Já na chegada à sede da fazenda, que Nair e Francisco insistem em chamar de sítio, o patriarca da família Machado já nos esperava com um largo sorriso no rosto. Após nos cumprimentar, foi logo contando a história de um pai muito rico, que levou o filho para conhecer a vida dura e pobreza da roça. Ao voltar à sua mansão, o pai questionou ao filho qual a lição havia tirado daquela experiência e, sem titubear, o filho respondeu: pai, aprendi o quanto somos pobres. Temos apenas um pequeno quintal enquanto eles possuem um enorme terreno, temos apenas um cachorro e eles têm vários, não temos árvores em nossa casa e para nos alimentarmos, precisamos comprar tudo no supermercado, sacolão e, lá, eles escolhem o que comer diante de diversas árvores frutíferas, plantações de verduras, legumes e colhem tudo na hora...
Esta foi a primeira dentre várias outras histórias que ouvimos durante todo o dia. Eu e meu marido estávamos embevecidos com tanta informação. A luta deste homem admirável para criar sua família com muita labuta na roça. Apenas um capítulo em sua vida não foi coroado pelo sucesso. Isso aconteceu quando senhor Francisco quis tentar a vida na cidade grande. Porém, ao chegar em Belo Horizonte e após enfrentar várias dificuldades, como conta o próprio Francisco, Deus colocou um padre no caminho dele que o questionou sobre o motivo de estar ali, pois não era seu lugar e o aconselhou a voltar para a roça e para a minha família. Sábias palavras aquelas do padre... o conselho foi seguido à risca e, ao voltar, senhor Francisco pôde desenvolver toda a sua astúcia com a lida na roça, formar sua própria família e se tornar referência em Coqueiral. Conhece e é respeitado por todos os moradores da pequena cidade.
A história de Coqueiral e do senhor Francisco caminham juntas e se misturam. Tanto que foi convidado para contar a história da construção e reforma da igreja local, onde foi montado um mural com o histórico e fotos da igreja e das lideranças locais. E, claro, o senhor Francisco está lá! "Dizem que, na vida, o homem tem que ter filho, plantar uma árvore e escrever um livro. Minha meta já está cumprida, pois, tive quatro filhos, perdi a conta das árvores que plantei e, agora, não escrevi um livro, mas tem a história da igreja que contei em um mural afixado perto do altar”, conta senhor Francisco, todo orgulhoso.
Francisco entende e já fez de tudo um pouco como trabalhador rural e fez diversos trabalhos de agrimensura. Era tão reconhecido nessa função que até mesmo engenheiros o consultavam para verificar se o cálculo feito estava correto. Com essa mesma disponibilidade e sem medo de encarar os desafios da vida ajudou todos os quatro filhos. Apenas João seguiu seus passos, cuidando como ninguém das terras e lavouras da família. Os demais, cursaram o ensino superior fora e formaram suas famílias. A única filha mora em São Paulo, o mais novo em Varginha e o outro em Belo Horizonte.
Delícias da mesa de dona Nair – A culinária mineira já é por si só sinônimo de qualidade e sabor. Agora pense em aliar essas características ao preparo dos alimentos com produtos naturais, sem agrotóxico, pois foi exatamente esse o privilégio que tive. A mesa posta com imensa variedade de quitutes deliciosos e em nenhum deles foi utilizado produto industrializado. Tudo natural e cultivado nas terras de dona Nair e senhor Francisco. Nos cafés da manhã e da tarde havia leite tirado da vaca; café plantado, colhido, limpo, torrado e triturado na fazenda; queijo fabricado artesanalmente pelas mãos de fada da senhora Nair, broa de amendoim, biscoito de polvilho. Tudo com um sabor inigualável! No almoço e jantar, frango caipira e carne de porco criados no quintal, angu, quiabo, mandioca. Até o arroz e o feijão são das terras, do arado e do cuidado deste maravilhoso casal. Tudo saborosíssimo, com um paladar que eu nunca havia sentido. Huuuuummmmmmm...
À tarde, pudemos entrar na mata e Francisco foi nos apresentando os diferentes tipos de árvore, madeira, frutas, o que era venenoso e não, as madeiras de lei, as plantas ornamentais... Árvores que nunca tive a oportunidade de ver de perto. Uma verdadeira maravilha! Fomos conhecer, ainda o engenho que fabrica a cachaça Americana.

Passamos a noite na casa da cidade (como dizem) e aproveitamos para conhecer a igreja, os casarões antigos e, pela manhã, voltamos para a fazenda, quando fomos levados por senhor Francisco para conhecermos sua lavoura de café. Uma imensidão para se perder de vista. Na época da colheita é necessário contratar mão-de-obra para dar conta de colher tanto café sem contar na ajuda das máquinas modernas que também fazem esse trabalho.

E fomos conhecer a cidade.

 
 


Tudo magnífico e ainda ganhei de dona Nair um frango caipira abatido para prepará-lo em minha casa e, na hora da degustação, matar a saudade e relembrar toda essa aula-magna que tive, proferida pelo professor Francisco. Voltei orgulhosa e extasiada desta viagem. Com certeza, aprendi muito, deliciei-me com tudo, conheci pessoas maravilhosas e agora posso entender o que sentem tantos mineiros que deixaram sua cidade natal e sonham em voltar a viver na roça, cuidar da terra, morar no interior, em uma localidade tranquila e sem violência. Graças a Deus, ao senhor Francisco e dona Nair , posso dizer que vivenciei um pouco dessa experiência e sinto-me privilegiada por isso.

Visitei e recomendo:

Fazenda de café
Engenho da cachaça Americana
Igreja do Divino Espírito Santo
Distrito de Frei Eustáquio

Localização:

Coquerial fica a 280 km de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais e a 61 km de Varginha.

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* Texto e fotos: Karina Motta