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terça-feira, 1 de setembro de 2015

A poesia de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul

O que elas dizem nunca tem sentido?
Que importa? Escuta-as um momento,
Como quem ouve, entre encantado e distraído,
A voz das águas... o rumor do vento... 
                                                                                                                                                                                                                                                                           Mário Quintana

Este é um trecho do livro Mario Quintana – Fausto Cunha – Seleções, que meu marido me deu de presente no início do nosso namoro e, para nossa grata surpresa, um dos primeiros lugares a visitarmos em Porto Alegre foi a Casa de Cultura Mario Quintana, que funciona no antigo hotel Majestic onde o poeta morou entre os anos de 1968 e 1980. O prédio foi projetado pelo arquiteto Theodor Alexander Josef Wiederspahn, com influências modernas e neoclassicistas. Foi o primeiro edifício com armação de concreto da cidade. Quintana nasceu em Alegrete/RS e se mudou para Porto Alegre em 1919. Faleceu na capital gaúcha no dia 5 de maio de 1994. Aliás, esta citação e este livro não foram escolhidos em vão para abrir este post. O caro leitor que acompanhou os posts anteriores sobre Bento Gonçalves sabe que o principal motivo desta viagem ao Rio Grande do Sul foi exatamente comemorar meus 40 anos de vida e dez anos de namoro com meu marido, então, nada melhor que um poema de um poeta da terrinha que ganhei quando estávamos apenas na fase do namoro para ilustrar este texto.
A casa de cultura fica na rua dos Andradas, que foi batizada pelos porto-alegrenses como rua da Praia. Ela reúne muitos patrimônios arquitetônicos e culturais, incluindo a praça da Alfândega, que traz outra homenagem ao escritor. Uma estátua de bronze dele ao lado da de Carlos Drummond de Andrade convidam os transeuntes para um poético bate-papo.


Ao redor da praça, ainda há prédios históricos como o Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malgoli (MARGS), o Santander Cultural e o Clube do Comércio de Porto Alegre.


                                     
Parece que a cidade respira mesmo poesia. Os monumentos, os parques, as praças, o Guaíba... Tudo parece retratar os textos líricos, passando uma mensagem com elementos que ultrapassam os fatos e exprime o interior da natureza, dos prédios históricos, do povo... Em cada cidade visitada pelo BLOG VIAGENS PELO BRASIL, fazemos questão de conhecer museus e igrejas locais. Desta vez não foi diferente. Entramos no MARGS, com acervo de 2650 obras, a maioria de artistas gaúchos da segunda metade do século XX.


Nossa programação inicial de viagem era para Bento Gonçalves e, a fim de otimizar nosso passeio e conhecer um pouco mais do Rio Grande do Sul, aproveitamos nosso desembarque no aeroporto de Porto Alegre e fizemos um city-tour na capital gaúcha logo na chegada.Conhecer o rio Guaíba era a maior expectativa do meu marido, por isso, fomos direto a ele. O Guaíba abastece Porto Alegre, possui uma área de 85.950 km, o equivalente a 30% do território gaúcho.
Bem perto, há Fundação Iberê Camargo construída pelo arquiteto português Álvaro Siza. Ele abriga o acervo de obras do importante artista plástico gaúcho Iberê Camargo e recebe exposições itinerantes.

A Usina do Gasômetro transformou-se em um reconhecido centro de cultura da cidade com cinema, café e espaços para palestras, teatros e shows. Ela funciona no prédio da antiga usina termoelétrica de Porto Alegre, a Usina de Gás de Hidrogênio Carbonado, que fornecia gás destinado à iluminação pública e abastecimento de fogões. A chaminé de 117 metros foi preservada.
Na praça da Matriz, está concentrado o centro político-administrativo do estado além da Catedral Metropolitana de Porto Alegre; o Palácio Piratini, sede do Poder Executivo Estadual; Palácio Farroupilha, onde funciona a Assembleia Legislativa, o Palácio do Ministério Público e o Palácio da Justiça. O teatro São Pedro. Ao centro, um monumento a Júlio de Castilhos.
Palácio Piratini




Palácio da Justiça


Ao me aproximar da Catedral, fiquei maravilhada com a beleza arquitetônica. Ela é grandiosa e possui, externamente, grandes pinturas que chamam a atenção. Só a cúpula da igreja possui 65 metros de altura do nível da praça. Por causa dessa característica, ela pode ser vista de diversos pontos da cidade. O projeto é do arquiteto italiano João Batista Giovenale.



A igreja Nossa Senhora das Dores tem longa escadaria que lembra a igreja do Serro em Minas Gerais. Ela é a mais antiga da cidade. Algumas imagens vieram da Europa: sete delas trazidas de Portugal, as esculturas de São Francisco Xavier, vindas da Itália, e a do Sagrado Coração de Maria, da Espanha.

Construída em estilo Barroco, é a igreja mais antiga da cidade e foi tombada pelo Patrimônio Federal em 1938. Há três esculturas da fachada, obras do artista João Vicente Friederichs, que representam a Esperança, a Caridade e a Fé. Já a padroeira está representada em duas imagens em que uma delas tem rosto de porcelana e a outra, espada e adorno da cabeça em prata.


O prédio da Prefeitura Municipal também chama bastante atenção. Do lado de dentro há várias esculturas, quadros e vitrais vindos da França, em 1869. Na frente, está a Fonte Talavera de La Reina e os leões, que representam força e poder no marco zero da capital gaúcha.

Os estádios de futebol destacam-se também. A famosa rivalidade Gre-Nal: Grêmio e Internacional têm seus campos na cidade. Esses dois times são de grande importância no mundo futebolístico, pois, Porto Alegre é uma das poucas cidades no mundo com dois times campeões mundiais. E é daqui também que saiu um dos grandes ídolos do Atlético Mineiro, meu time do coração, que é o Ronaldinho Gaúcho. Assim, foi interessante ver ao menos de longe  a Arena do Grêmio e o Gigante da Beira-Rio.
E, se começamos este post com versos de Mario Quintana, nada melhor que encerrá-lo da mesma forma. Desta vez, valho-me do poema Esperança para que nunca morra a chama da esperança de conhecer todo o Brasil!

Esperança
Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E — ó delicioso voo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança…

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA…

                             Mario Quintana


Localização:

Região Sul do Brasil. Porto Alegre é a capital do estado do Rio Grande do Sul.


Visitei e recomendo: 

Guaíba
Rua da Praia

Praça da Matriz
Praça da Alfândega
Casa de Cultura Mario Quintana
Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malgoli (MARGS)
Santander Cultural
Clube do Comércio de Porto Alegre
Fundação Iberê Camargo
Usina do Gasômetro
Parque Farroupilha
Catedral Metropolitana de Porto AlegrePalácio Piratini
Palácio Farroupilha
Palácio da Justiça
Teatro São Pedro
Igreja Nossa Senhora das Dores
Prefeitura Municipal
Arena do Grêmio
Gigante da Beira-Rio


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*Texto e crédito das fotos: Karina Motta