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sábado, 22 de abril de 2017

Piranhas (AL) é referência na história do Cangaço

A década de 1930 foi mesmo marcada pelas ações de Lampião  e seu bando no nordeste brasileiro e Piranhas teve um papel fundamental nessa história. Além das cabeças ficarem expostas na prefeitura, foi da cidade que partiu a comitiva de policiais ao comando do tenente João Bezerra para a captura de Lampião.



A arquitetura bem preservada e casas coloridas tornam Piranhas, em Alagoas, ainda mais charmosa. Ela faz parte do Patrimônio Histórico Nacional. Pena que esse reconhecimento aconteceu depois que fizeram alterações no prédio da Prefeitura e retiraram a escadaria onde as cabeças de Lampião e seu bando foram expostas. As escadas foram transferidas para a lateral do prédio com a justificativa que ela estava atrapalhando o trânsito local.


Prefeitura


Reprodução da foto com as cabeças dos cangaceiros na escadaria da prefeitura

E a vida noturna na cidade tem 
apresentações musicais no centro histórico. Xaxado e a quadrilha sergipana, com risca-faca e bailarinos vestidos como cangaceiros são frequentes. Pagode e forró também têm espaço. Infelizmente, na noite em que fomos não houve a apresentação da quadrilha e o forró começou tarde. Estávamos cansados e não esperamos.
A histórica cidadezinha, que fez parte do Cangaço brasileiro, foi fundada no século XVIII e é banhada pelo rio São Francisco. A origem do seu nome é passada de geração em geração da seguinte forma: em um riozinho, ao redor do qual a cidade se desenvolveu e que hoje é chamado das Piranhas, um senhor pescou uma grande piranha e a levou para casa. Chegando lá percebeu que havia esquecido do cutelo e pediu para o filho que fosse ao Porto da Piranha para buscar seu cutelo. E então surgiu o nome do município.

Perto da Estação Ferroviária, centro histórico de Piranhas, funciona o Museu do Sertão, contando a história do Cangaço. Tem, inclusive, coisas que pertenceram ao cangaceiro e bilhetes que ele enviou ameaçando as autoridades da cidade, pois, apesar do que muitos pensam e da maioria da época, Lampião era alfabetizado. É interessante ler as ameaças que ele faz. O prédio é lindo e chama a atenção do visitante.


Em frente ao museu, fica a Torre do Relógio, de 1879, com um relógio inglês e dentro o Café da Torre. A torre serviu de inspiração para a construção do portal de entrada da cidade.


Há aqui também a maria-fumaça e como o BLOG VIAGENS PELO BRASIL gosta desse trem!

Bem no sertão alagoano, cercada pela caatinga, a economia da cidade é baseada na pesca, pecuária extensiva e agricultura. Folclore e artesanato em couro, madeira, palha, tecelagem, tapeçaria e cerâmica são expressões muito fortes na localidade.

Arquitetura – O estilo colonial com casas coloridas e ruas em paralelepípedo está muito bem preservado e é considerado pelo Iphan como Patrimônio Histórico Nacional. Padre Cícero também tem estátua  na cidade. E a cidade é mais um cenário para filmes. Lá foram gravados Bye, Bye, Brasil (1979), de Cacá Diegues, e Baile Perfumado (1997), de Lírio Ferreira e Paulo Caldas.

Do Mirante Secular, tem-se uma linda vista da cidade e do rio e é lá que fica um gostoso restaurante, o Flor de Cactus. Ele foi edificado onde ficava um farol para orientar os navegantes do rio São Francisco. A maneira mais fácil de chegar é de carro, mas, se o turista preferir se aventurar na subida de 364 degraus também pode, sempre lembrando do clima do sertão, que torna as caminhadas um tanto mais difíceis para sedentários e pós-operada como eu.






Outras escadarias que chamam a atenção na cidade são as da Igreja do Senhor do Bonfim. A igreja, pequena e bem simples, fica bem no alto e de qualquer ponto da cidade é possível vê-la. Nosso guia disse que tem jeito de chegar até ela de carro, mas, como estava fechada, não fomos. Há também a Igreja de Nossa Senhora da Saúde, de 1855.







O centro de artesanato encanta os olhos. Nos fins de semana, a cidade conta com música ao vivo à noite. Há também alguns bares e restaurantes, mas destaco a Cachaçaria Altemar Dutra. Variedade da bebida e o charme são o ponto alto do local. 






O cantor tem até estátua na cidade, pois, dizem que ele gostava do local e sempre ia para lá se refugiar às margens do rio São Francisco.





Localização:
A 12 km de Canindé do São Francisco, no estado do Sergipe, está a alagoana cidade de  Piranhas. Piranhas fica a 280 km de Maceió. A cidadezinha fica entre Sergipe e Alagoas.


Visitei e recomendo:
Prefeitura de Piranhas
Estação Ferroviária
Centro histórico de Piranhas
Museu do Sertão
Torre do Relógio
Mirante Secular
Restaurante Flor de Cactus
Igreja do Senhor do Bonfim
Igreja de Nossa Senhora da Saúde
Centro de artesanato
Cachaçaria Altemar Dutra


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*Texto e fotos: Karina Motta