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sábado, 10 de junho de 2023

Estátuas de escritores mineiros são restauradas em BH

Os escritores mineiros homenageados por meio de estátuas de bronze em Belo Horizonte tiveram outra forma de reconhecimento ao receberem a recuperação total das esculturas de Carlos Drummond de Andrade, Henriqueta Lisboa, Murilo Rubião, Pedro Nava e Roberto Drummond. O poeta itabirano e Henrique Lisboa estavam sem as mãos e Murilo Rubião havia sido arrancado do local.  

As esculturas de Carlos Drummond de Andrade e Pedro Nava  ficam na Praça Professor Alberto Deodato (Rua Goiás, esquina com rua da Bahia). A de Drummond possui: altura: 1.67cm | Frente: 60cm | Largura: 45cm | Peso: 140 K. Nava – 1903 -1984 -  Médico, escritor, poeta e memorialista brasileiro. Nasceu em Juiz de Fora (MG), e formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais, em 1927. Ainda na década de 1920, tornou-se amigo de modernistas como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Obteve reconhecimento literário a partir de 1972, com o início da publicação de suas memórias, pelas quais recebeu diversos prêmios. Suicidou-se no Rio de Janeiro, em 1984. As características da sua escultura: Altura: 1.75cm | Frente: 103cm | Largura: 55cm | Peso: 150 K


A de Murilo Rubião está nos jardins da Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (Praça da Liberdade, 21). Ele vai de encontro aos amigos conhecidos como os Cavaleiros do Apocalipse: Fernando Sabino, Otto Lara Resende, Hélio Pellegrino e Paulo Mendes Campos. Rubião era advogado, funcionário público e jornalista. Ficou conhecido como contista, sendo considerado pela crítica literária brasileira e internacional o precursor do realismo fantástico (ou mágico) latino-americano. Nasceu em Silvestre Ferraz, atual Carmo de Minas (MG) no dia 1º de junho de 1916. Como jornalista, criou em 1966 o Suplemento Literário do Diário Oficial Minas Gerais. Escreveu para a Folha de Minas, dirigiu a rádio Inconfidência, foi oficial de gabinete do governador Juscelino Kubitschek e chefe do Escritório de Propaganda e Expansão Comercial do Brasil na cidade de Madri, na Espanha. Morreu em Belo Horizonte, no dia 16 de setembro de 1991. Sua escultura possui: Altura: 1.78cm | Frente: 65cm | Largura: 85cm | Peso: 160 K



















Na Savassi, encontramos as esculturas de Roberto Drummond (Quarteirão fechado da rua Antônio de Albuquerque). O romancista, jornalista e cronista brasileiro nasceu em Santana dos Ferros (MG), em 21 de dezembro de 1939. Iniciou sua incursão pela literatura ainda jovem, escrevendo contos e radionovelas com apenas 13 anos de idade. Como jornalista, atuou em veículos como Folha de Minas, Última Hora, Estado de Minas e Jornal do Brasil. Foi torcedor fanático do Atlético Mineiro. Morreu em 21 de junho de 2002, em Belo Horizonte. A estátua possui: Altura: 1.77cm | Frente: 70cm | Largura: 45cm | Peso: 160 K






E Henriqueta Lisboa (Rua Pernambuco, altura do nº 1336). A  escultura dela possui altura: 1.60cm | Frente: 48cm | Largura: 50cm | Peso: 140 K. Em 1963, foi a primeira mulher a ser eleita integrante da Academia Mineira de Letras. Morreu em Belo Horizonte, em 1985. Ela nasceu em Lambari (MG), no dia 15 de julho de 1901. Escreveu ensaios literários, traduções, organização de antologias de poesias. A poesia dela tornou-se conhecida no exterior, sendo traduzida em várias línguas, como o francês, inglês, italiano, espanhol, alemão e latim. Colaborou com várias revistas e recebeu inúmeros prêmios literários. 













Todas as obras são do escultor Leo Santana. Ele acompanhou todo o processo de retirada e de restauração das peças, que foi realizada pela Fundição Artística Ana Vladia.

As esculturas passaram por um processo de remoção da oxidação para a avaliação de avarias nas peças. Esse procedimento é realizado com jatos de areia e escovação, que removem as películas de sujeiras e óleos que cobrem as esculturas. Os serviços realizados a partir daí variaram de acordo com a necessidade de cada peça. No caso da escultura de Carlos Drummond de Andrade, foram realizados os trabalhos de modelagem, fundição e solda dos óculos do escritor, além da solda da mão direita.

Uma das peças mais danificadas foi a da escritora Henriqueta Lisboa, que teve as mãos e o livro que estava sobre elas arrancados, em 2022. Para reconstituí-las, foi necessário que o artista Léo Santana as modelasse novamente. As mãos da escultura foram fundidas e soldadas e a escultura passou por nova pátina.

Já os serviços de recuperação das estátuas de Roberto Drummond, Pedro Nava e Murilo Rubião incluíram a revitalização com a remoção da oxidação desgastada, escovação e nova pátina. No caso dessas esculturas, também foram feitas a conferência das soldas e reforço em pequenas rachaduras para correções de avarias, principalmente, nas estátuas do Murilo Rubião e Pedro Nava.

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domingo, 10 de julho de 2022

Visita a BH por meio da perspectiva de escritores

Mais uma vez fui encantada pelo walking tour da agência Vamos Viver e Viajar . Com a proposta de fazer uma caminhada cultural literária, percorrendo locais que inspiraram obras de escritores e poetas em Belo Horizonte, fizemos este passeio gratificante por meio do projeto O Beabá de Beagá.

O roteiro começa na rua Sapucaí. com a Estação Ferroviária ao fundo onde os escritores chegavam à cidade e termina na praça da Savassi, onde tem estátuas de autores mineiros. São cerca de 3 km percorridos, com duração média de 3 horas. 












Fiquei encantada com esse passeio. Reconheci  minha cidade natal. Impressionante como o dia a dia nos impede de conhecer e reparar detalhes. Até prédios inteiros que eu nunca percebi como particularidades arquitetônicas. E o caro leitor do BLOG VIAGENS PELO BRASIL sabe como amo arquitetura e reparo em detalhes das cidades que visito.

Exemplos como o Parc Royal, onde funcionou a livraria Itatiaia em que a denominação do prédio está bem destacada e eu nunca tinha visto. Neste prédio, funcionou uma loja de grifes e ficava lotada, sempre com fila na porta.



A livraria Francisco Alves, que tinha livros raros e vindos de vários locais onde os escritores adoravam  atualizar seu acervo literário. 

Ou mesmo o emblema de BH na fachada do Museu de Moda, que funcionou como Câmara Municipal em seu início.




A cada parada, o Júlio, guia que nos acompanhou, mostrava fotos de como era o local antigamente e lia um texto sobre o local.


Paramos em 10 pontos históricos de BH. o primeiro, foi o viaduto Santa Tereza. Soubemos que o poeta Carlos Drumond de Andrade só atravessava o viaduto escalando seus arcos. Certa vez, quase foi preso. 




Seguimos para o mercado das flores., que era o ponto dos bondinhos, meio de transporte em certa época em BH.

A próxima parada foi no Othon Palace e o edifício ao lado dele. Antigamente, era uma construção que ocupava os dois prédios e onde funcionou o bar do ponto onde os escritores e a sociedade belo-horizontina se encontravam na década de 1920. Era muito movimento pela sua localização (no cruzamento das principais linhas de bonde da cidade). O bar foi demolido para dar lugar ao hotel Othon Palace.





Começamos a encontrar as estátuas de escritores que foram marcados por BH. Todas elas são do artista plástico Léo Santana. Seguindo a rua da Bahia, chegamos à rua Goiás, na chamada praça da Poesia, com as estátuas de Drummond e Pedro Nava. Infelizmente, o vandalismo fez com que o poeta Drummond tivesse suas mãos roubadas.






Chegamos à esquina de Augusto de Lima e rua da Bahia onde, de um lado, temos a drogaria Araújo, que tem restaurado prédios antigos para montar suas farmácias e nesta linda construção funcionou a Academia Mineira de Letras. 

Em frente, temos o edifício Maletta, que, originalmente, era o Grande Hotel (foi demolido e o prédio construído em seu lugar levou o nome do dono do hotel) onde os escritores que não eram de BH ficavam hospedados e onde se hospedou também da Costa que veio para a Capital Mineira querendo trabalhar na Santa Casa e foi o pioneiro em cirurgia gástrica  em Minas e fundou a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. 


Passamos pelo monumento Rômulo Paes, projeto do arquiteto Gustavo Penna: "minha vida é esta. Descer Bahia, subir Floresta. Rômulo foi um compositor brasileiro, principalmente, de marchinhas de carnaval. 





Chegamos à nova sede da Academia Mineira de Letras e onde Borges da Costa também morou por um tempo. 


A próxima parada é na Biblioteca Pública, com as estátuas denominadas Encontro Marcado, em homenagem aos escritores mineiros Fernando Sabino, Otto Lara Rezende, Paulo Mendes Campos e Hélio Pelegrino. Quarteto conhecido como os quatro cavaleiros do Apocalipse.








Ali perto também ficava a estátua do escritor Murilo Rubião indo de encontro aos colegas , mas conseguiram jogar a estátua no chão. A prefeitura a recolheu e não voltou com ela mais para o lugar. Há apenas a placa e os resquícios de onde ela estava instalada. 


Seguindo, encontramos o Minas Tênis Clube e a estátua do compositor Pacífico Mascarenhas, que tanto ajudou o Clube da Esquina



Caminhando, chegamos à Savassi e a primeira estátua encontrada é a do escritor e jornalista Roberto Drumond, que passou a morar em BH a partir da sua adolescência. 




E, em frente onde morou, a estátua de Henriqueta Lisboa. Ela foi a primeira mulher eleita da Academia Mineira de Letras. Infelizmente, suas mãos e o livro que ela segurava foram roubados. 





Ganhamos cartões postais do projeto O Beabá de Beagá e demos muita sorte. Fiquei com o da Henriqueta Lisboa segurando o livro em sua estátua sem ser depredada e meu marido do de Roberto Drumond. Quando disse que não prestamos atenção na cidade na correria do dia a dia não estava mentindo. Mesmo passando a pé várias vezes ao lado da estátua de Roberto Drumond, meu marido confessou que nunca a havia percebido ali. Um alerta para desacelerarmos e prestarmos atenção nos detalhes da cidade onde moramos.


Para saber as histórias detalhadas e a oportunidade de ver fotos antigas de Belo Horizonte, recomendo que todos façam esse encantador passeio.


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*Texto e fotos: Karina Motta